segunda-feira, 19 de abril de 2010

A simulação em 3D online vai revolucionar a experiência de consumo

Imagine, leitor, que você acabou de adentrar um restaurante. Antes de caminhar até alguma mesa, olha para o ambiente. Observa a cor da pintura nas paredes, os quadros dependurados, analisa a decoração do local.

Depois vê a disposição das mesas. Investiga se o espaço entre elas é cômodo o suficiente para passar, onde pode ser mais agradável ficar. Então caminha por entre elas e olha os assentos. De repente se senta. Não gostou. Levanta-se e vai até outro ponto do restaurante. Agora, sim, bem melhor. Hora de escolher o prato: pega o cardápio nas mãos e consulta. Decisão tomada, chama o garçom.

Trata-se de uma situação corriqueira, não? Na vida real, sim. Mas a cena acima é a descrição do que já é feito por meio de simulações em 3D e indica a maneira como os consumidores vão se relacionar com os produtos num futuro bem próximo. E aponta também para uma nova tendência nas estratégias de desenvolvimento de produtos.

Recriação virtual

Essa é a visão de Bruno Latchague, vice-presidente executivo de gerenciamento de ciclo de vida de produtos da empresa francesa Dassault Systèmes. A cena do restaurante no começo desta matéria é exemplo de um projeto desenvolvido pela companhia para um cliente na Europa.

“A tecnologia que utilizamos, que é similar à usada em videogames, recria de modo bem realista os ambientes. Assim, é possível projetar como ficarão empreendimentos depois de passarem por reformas. Mais que isso: pode-se saber a opinião dos consumidores a respeito de um projeto de decoração, ambientação de lojas. Permite saber se eles vão gostar ou não e o que sugerem que seja feito”, explica Latchague, que é francês e esteve em São Paulo na semana para um evento interno da Dassault.

Ele reforça: “O consumidor virou um ator fundamental no processo de criação de produtos. E isso vai revolucionar as estratégias de produção”, afirma Latchague.

Há cerca de 25 anos na companhia e baseado na França, Latchague atua no setor de pesquisas e desenvolvimento. É um dos responsáveis na organização pelo desenvolvimento daquilo que é chamado de PLM (Product Lifecicle Management), ou gerenciamento de ciclo de vida de produto.

Processo colaborativo

A tecnologia de simulações em 3D é usada pela Dassault em trabalhos para clientes de variados setores – aeroespacial, farmacêutico, automotivo, varejo, energia e científico. A ideia da companhia é usar a visão em 3D para dar suporte a processos industriais e proporcionar uma visão ampla do ciclo de vida dos produtos, desde a sua concepção até a sua manutenção e reciclagem. Dessa maneira, diz Latchague, é possível melhorar o processo de desenvolvimento de produtos, encurtando prazos e custos e antecipando as reações por parte do consumidor.

Essa evolução é acelerada pela colaboração online. A Dassault, explica Latchague, envolve seus funcionários do mundo inteiro no desenvolvimento de produtos. Por meio de uma plataforma online, os profissionais trabalham sob as mesmas condições, prazos e objetivos para encontrarem soluções. “Nossos colaboradores, como engenheiros e designers, trabalham colaborativamente por meio da internet no desenvolvimento de produtos e outras soluções. Dessa forma, eles podem interferir para melhorar os produtos e adquirem a ideia de que fazem parte de um time”.

“A colaboração é parte importante durante o desenvolvimento, e ela tem de acontecer online, porque torna o trabalho mais ágil. As correções e sugestões são dadas momentos em que as ações acontecem”.

Softwares

Para materializar essa nova visão sobre o desenvolvimento de produtos, a Dassault tem alguns softwares: Catia, para desenho do produto virtual; SolidWorks, voltado a desenho mecânico 3D; o Delmia, de produção virtual; Simulia, para a simulação do real; Enovia, responsável pelo gerenciamento global e colaborativo do ciclo de vida de produtos; e o 3DVIA, para experimentação 3D online.

Fundada em 1981, a Dassault atua em mais de 80 países, contando o Brasil, e tem mais de 100 mil clientes no mundo. Entre os clientes no Brasil estão montadoras, Embraer, ITA, IPT, Grendene e Natura.

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